segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cidade de São Paulo vai revitalizar Parque Dom Pedro

Principal via de acesso que ligam o centro paulistano à zona leste da cidade, o parque Dom Pedro II poderá estar parcialmente renovado até a Copa de 2014.

O velho parque, localizado a um quilômetro da praça da Sé, é hoje um local degradado, por onde circulam diariamente milhares de pessoas que se dirigem aos bairros do extremo leste, como Itaquera, sede da Arena Corinthians. O projeto de revitalização foi lançado pela prefeitura de São Paulo, e envolve toda a região da várzea do rio Tamaduanteí. O projeto prevê seis anos para sua execução.

Do parque original, inaugurado em 1922 e tido por décadas como cartão-postal da cidade, quase nada sobrou. As obras rodoviaristas dos anos setenta "soterraram" seu valor urbano, transformando o antigo parque em lugar de passagem, com um movimentado terminal de ônibus (Terminal D. Pedro), estação de metrô (Estação Pedro II), e pouquíssima área livre. Os baixos da região, sob pesadas estruturas de viadutos, alças e pontes, abrigam moradores de rua e muito lixo acumulado. A estagnação foi acompanhada da perda de espaço ao pedestre, que hoje só dispõe de uma faixa de travessia, no acesso ao espaço Catavento, contam os responsáveis pelo projeto.

Projeto para o espaço público
O trabalho foi encomendado pela Prefeitura a três escritórios: Una, H+F e Metrópole Arquitetos, com coordenação geral da arquiteta e urbanista Regina Meyer, da FAU USP e Fupam - Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente. O custo total do projeto é de R$ 1,5 bilhão.

Espaço simbólico, de usos consolidados, mas com potencial transformador. Este entendimento direcionou o projeto a "valorizar o espaço público, sem deixar de considerar seu caráter ancorador dentro da região". Como explica a arquiteta Fernanda Barbara, do Una, "o parque é um 'nó', que articula os fluxos de transporte no eixo leste-oeste da cidade". A várzea do Tamanduateí, lembra, "é o berço de uma ligação histórica entre a colina da cidade e a zona leste".

Segundo suas premissas, as ligações viárias - como o corredor norte-sul pela avenida do Estado - não mais irão se sobrepor, impedindo as funções do parque. Os carros cruzarão por túneis, como a passagem subterrânea a ser construída sob a avenida Mercúrio. Com as vias enterradas (como também os fios e outras instalações) "muda o caráter de uso do parque, que se abre a novos espaços para o pedestre", ressalta Fernanda Barbara.

Para liberar área, três viadutos serão demolidos: o Diário Popular, o Antônio Nakajima e o Vinte e Cinco de Março. No vazio aberto, será implantada uma praça linear, acompanhando o contorno de uma lagoa que será criada às margens do rio Tamanduateí. "Água limpa da lagoa que vai contrastar com o Tamanduateí poluído ao lado, mas que não deixa de chamar a atenção, de ser algo pedagógico", observa o arquiteto Pablo Hereñu, do escritório H+F. A praça ainda agrega áreas arborizadas, com funções de estar e lazer.

A remoção dos três viadutos permitirá criar um terminal intermodal e qualificar o espaço para o usuário do transporte. Este novo sistema substituirá o terminal de ônibus atual, que é inteiramente desarticulado do metrô.
 
Quatro novas ruas serão criadas e farão a conexão com dois equipamentos previstos no projeto:  Sesc e Senac. Para preservar a visão da paisagem, os dois prédios - que ocupam a área onde ficavam os edifícios São Vito e Mercúrio, já demolidos - reúnem conceitos de transparência, são vazados e com espaço público no nível térreo, diz a arquiteta.


Lagoa artificial despejará água limpa no rio Tamanduateí (crédito: Divulgação)
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Articulações
O projeto, em sua amplitude, prevê articulações em todos os sentidos; assim, o alto da colina, onde está o Banespa, terá acessos a áreas do Brás e Cambuci. No setor norte (ou arco norte), caracterizado por vários edifícios históricos, como o Mercado Municipal, o Palácio das Indústrias e a Casa das Retortas, bens que hoje são isolados, embora próximos, estarão articulados com o conjunto das intervenções.

Outro aspecto considerado é o zoneamento, na região classificada de tipo zeis (zona especial de interesse social). Assim, a proposta é criar condições para a habitação social, o comércio e serviço, consideradas condições fundamentais para a dinâmica da região, tanto de dia como de noite.

Miguel Bucalem, secretário de Desenvolvimento Urbano do município, destaca que dos muitos projetos pensados para o Parque D. Pedro II, este "é o primeiro a considerar que as ligações viárias não devam se sobrepor em importância ao espaço público". Ele falou durante uma apresentação do projeto na semana passada, quando lembrou que o parque foi sendo visto, pouco a pouco, mais como um obstáculo, algo a ser transposto, e agora é hora de reverter estes conceitos. 

Duas diretrizes básicas do projeto foram expostas pelo arquiteto Vladir Bartalini, da SP Urbanismo: "Primeiro, que as intervenções deveriam estender-se a todo o entorno, e não apenas à área específica do parque; segundo, decidimos que as medidas estruturais não seriam impedimento para ações imediatas, consideradas importantes para deflagrar o processo de revitalização", destacou. Um desses projetos é a chamada "nova 25 de março", que deve ocorrer em breve.

Um comentário:

  1. Já era tempo! Acho que a região do Parque D. Pedro II Merece esta revitalização e eu estou super torcendo e esperançosa pelos resultados.

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